23 Agosto, 2011

Orgulho, Riqueza e Pobreza


De todos os males o orgulho é o mais temível, pois deixa em sua passagem o germe de quase todos os vícios.
É uma hidra monstruosa, sempre a procriar e cuja prole é bastante numerosa. Desde que penetra as almas, como se fossem praças conquistadas, ele de tudo se assenhoreia, instala-se à vontade e fortifica-se até se tornar inexpugnável.
Este cancro é o maior flagelo da humanidade. Dele procedem todos os transtornos da vida social, as rivalidades das classes e dos povos, as intrigas, o ódio, a guerra.
Inspirador de loucas ambições, o orgulho tem coberto de sangue e ruínas este mundo, e é ainda ele que origina os nossos padecimentos de além-túmulo, pois seus efeitos ultrapassam a morte e alcançam nossos destinos lingínquos.
Assim como o verme estraga um belo fruto, assim o orgulho corrompe as obras mais meritórias. Não raro as torna nocivas a quem as pratica, pois todo o bem realizado com ostentação e com secreto desejo de aplausos e lauréis depõe contra o próprio autor.
O orgulho e a voraz ambição não se podem abater e suprimir senão por meio de existências atribuladas, de trabalho e de renúncia, no decorrer das quais a alma orgulhosa reflete, reconhece a sua fraqueza e, pouco a pouco, vai-se permeando a melhores sentimentos.
Todos os homens, desde o mais altamente colocado até o mais miserável, são construídos da mesma argila. Revestidos de andrajos ou de suntuosos hábitos, os seus corpos são animados por Espíritos da mesma origem e todos reunir-se-ão na vida futura. Aí somente o valor moral é que os distingue. O que tiver sido grande na Terra pode tornar-se um dos últimos no espaço; o mendigo, talvez, aí, venha a revestir uma brilhante roupagem. Não desprezemos, pois, a ninguém. Não sejamos vaidosos com os favores e vantagens que fenecem, pois não podemos saber o que nos está reservado para o dia seguinte.
Se Jesus prometeu aos humildes e aos pequenos a entrada nos reinos celestes, é porque a riqueza e o poder engendram, muitíssimas vezes, o orgulho; no entanto, uma vida laboriosa e obscura é o tônico mais eficaz para o progresso moral. No cumprimento dos deveres cotidianos o trabalhador é menos assediado pelas tentações, pelos desejos e ruins paixões; pode entregar-se à meditação e desvendar sua consciência.
Tantos e tão fortes são os vínculos com que a riqueza nos prende à Terra que a morte nem sempre consegue quebrá-los a fim de nos libertar. Daí as angústias que o rico sofre na vida futura. É, portanto, fácil de compreender que, efetivamente, nada nos pertence nesta Terra. Esses bens que tanto prezamos só aparentemente nos pertencem. O próprio corpo humano é um empréstimo da Natureza. As únicas aquisições duráveis são as de ordem intelectual e moral.

Fonte: DENIS, Léon. Orgulho, riqueza e pobreza. ln:_. Depois da Morte. 10. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1978. Parte 5a, Cap. XLV. p. 262-8. 
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09 Outubro, 2010

Reencarnação

A Reencarnação é a mais excelente demonstração da Justiça Divina, em relação aos infratores das leis, na trajetória humana, facultando-lhes a oportunidade de ressarcirem os erros cometidos, nas existências futuras.
A evolução é impositivo da lei de Deus, incessante, inquestionável. Nessa lei não existe o repouso, a inércia. Por toda parte é sempre o impositivo da evolução, o imperativo do progresso. 
Na erraticidade o Espírito examina o que fez, reconhece seus erros ou acertos, traça planos e toma resoluções para nova existência, onde submete-se às provas ou às expiações. (LE, 230). Esta nova existência, a reencarnação, portanto, não é uma punição para o Espírito, mas uma condição inerente à sua evolução.
As reencarnações para os Espíritos, neste ou em outros mundos, mais ou menos adiantados, têm finalidades diversas e especificas para cada um, conforme seja o plano ou meta a cumprir.
1) Expiação - Expiar significa remir, resgatar, pagar.
Dores impostas: A programação é feita por mentores espirituais, em benefício de Espíritos que recalcitram em reconhecer a extensão de seus comprometimentos perante as leis Divinas.
A expiação, em sentido estrito, consiste em o homem sofrer aquilo que fez os outros sofrerem, abrangendo sofrimentos físicos e morais, seja na vida corporal, seja na vida espiritual.
2) Prova – Avaliação
Dores solicitadas: O Espírito reencarna com uma programação que planejou, consciente do que deverá enfrentar para o resgate dos seus débitos.
Em sentido amplo, cada nova existência corporal é uma prova para o Espírito (LE, 166 e 166a).
Ele aperfeiçoa-se, enveredando pelo caminho da evolução.
A prova, às vezes, confunde-se com a expiação, mas nem todo sofrimento é indicio de uma determinada falta. Trata-se frequentemente, de simples provas escolhidas pelo Espírito, para acabar a sua purificação e acelerar o seu adiantamento. Assim, a expiação serve sempre de provas, mas a prova nem sempre é uma expiação. (ESE, cap. V n.° 9.)
3) Missão - A missão é uma tarefa a ser cumprida pelo Espírito encarnado.
Lê-se no LE, 573, que cada um tem a sua missão neste mundo, porque cada um pode ser útil em algum sentido e que as missões são mais ou menos gerais e importantes.
Aquele que cultiva a terra cumpre uma missão, como aquele que governa ou aquele que instrui. "A importância das missões está em relação com a capacidade e a elevação do Espírito." (LE, 571)
Em sentido particular, cada Espírito desempenha tarefas especiais numa ou noutra encarnação, neste ou naquele mundo.
Têm-se, assim, a missão dos pais (LE, 582 e ESE, cap. XIV n.° 9); a missão dos conquistadores (LE, 584), dos homens de ciência, dos homens que desempenham na Terra missões de paz e amor, dos homens que lutam pelas reformas sociais.
O transitório esquecimento do passado facilita os recomeços, ensejando mais amplas possibilidades ao entendimento e à cordialidade. Se o Espírito lembrasse dos motivos da antipatia ou do amor, vincularia-se apenas aos seres simpáticos, afastando-se daqueles por quem se sentiu prejudicado, complicando, indefinidamente, a reparação e a libertação.
“E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação.” Jesus
Ressurreição é ressurgimento. A lei de retorno, pois, está contida amplamente nessa síntese de Jesus.
No trajeto multimilenário de nossas experiências, aprendemos, entre sucessivos episódios de nascimento e desencarnação, a alegria de viver, descobrindo e reconhecendo a necessidade e a compensação do sofrimento, sempre forjado por nossas próprias faltas.

Texto baseado nos livros:
Estudos Espíritas -  Divaldo P. Franco (pelo espírito Joanna de Ângelis)
Pão Nosso – Francisco C. Xavier (pelo espírito Emmanuel)
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02 Outubro, 2010

Espiritísmo e Política


O espírita pode e deve estudar e reflexionar sobre os princípios político-filosófico-espíritas no Centro Espírita, pois eles estão contidos em “O Livro dos Espíritos”, Parte 3ª, Das Leis Morais.
Deve confrontar os fundamentos morais e objetivos do Espiritismo com os fundamentos morais e objetivos dos partidos políticos, verificando de forma coerente qual ou quais deve apoiar e até mesmo participar como membro atuante, se tiver vocação para tal, sabendo, no entanto, da responsabilidade que assume nesse campo, já que sua militância deve sempre estar voltada para o interesse do ser humano, em seus aspectos social e espiritual.
O advento da Nova Era passará, inevitavelmente, pela renovação política.
Nada muda se os políticos não mudarem.
"A força das coisas possibilita a mudança, mas não construirá uma sociedade mais justa, mais livre, mais feliz, sem que cada família, cada grupo, cada cidade, cada nação elabore seu projeto, organize sua ação para chegar a essa sociedade melhor".  (Questões 860 e 1019 do LE).
Os ideais democráticos do mundo não derivam senão do próprio ensinamento de Jesus, nesse particular, acima da compreensão vulgar das criaturas.
Quase todos os homens se atiram à conquista dos postos de autoridade e evidência, mas geralmente se encontram excessivamente interessados com as suas próprias vantagens no imediatismo do mundo.
O grande desafio do espírita consciente é participar ativamente desse movimento de transformação social, alicerçado no conhecimento das Leis Morais contidas em “O Livro dos Espíritos”, buscando:
- Politizar-se para escolher melhor;
- Esclarecer amigos e familiares sobre o voto consciente;
- Participar de grupos de ação comunitária, além do centro espírita;
   - Votar com amor, para eleger os mais moralizados.
Preponderar sobre os maus, como já vimos, é apenas uma questão de vontade. Foi a esta conclusão que chegou Martin Luther King (Os Grandes Líderes – Nova Cultural), ao afirmar:
"Não há nada mais trágico neste mundo do que saber o que é certo e não fazê-lo. Não posso ficar no meio de todas essas maldades sem tomar uma atitude."
Toda a estrutura da Doutrina Social Espírita está calcada na Codificação e esta deve ser a base para a construção de Uma Nova Sociedade. 

"Para nós, a política é a ciência de criar o bem de todos e nesse princípio nos firmaremos".                          Deputado Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

 
Fontes:
O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec.
Como Não Ser Enganado nas Eleições – Gilberto Dimenstein – Editora Ática. 
Livro: O Espiritismo e a Política Aylton Guido Coimbra Paiva
Imagem: Google

26 Julho, 2010

Evangelização - Encerramento do primeiro semestre com um passeio no bosque

Já há alguns anos o encerramento das aulas do primeiro semestre é comemorado com o nosso tradicional passeio.
Nesse ano, depois de algum tempo, voltamos ao bosque municipal. Na oportunidade os alunos puderam ter um maior contato com a natureza e com a beleza da fauna.



Esses encontros têm como objetivo não só de estreitar ainda mais a amizade entre os jovens, mas também incentivar a participação dos pais.
As aulas reiniciam no dia primeiro de agosto.
Até lá! 

21 Abril, 2010

O Livro dos Espíritos - 153 anos

No dia 18 de abril os alunos da Evangelização Infanto-Juvenil do Centro Espírita Joanna de Ângelis comemoraram os 153 anos de O Livro dos Espíritos, codificado por Allan Kardec.
A Codificação
Em 1855, Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec), professor francês de aritmética, pesquisador de astronomia e magnetismo, foi convidado por um amigo seu a ver de perto estas manifestações que ocorriam nos salões da capital francesa. Homem criterioso, Rivail não se deixava levar por modismos e como estudioso do magnetismo humano acreditava que todos os acontecidos poderiam estar ligados à ação das próprias pessoas envolvidas, e não de uma possível intervenção espiritual.
Rivail presenciava a afirmação daqueles que se manifestavam, dizendo-se almas dos homens que viveram na Terra. Foi então, que uma das mensagens foi dirigida ao professor. Um ser invisível disse-lhe ser um Espírito chamado Verdade e que ele, Rivail, tinha uma missão a desenvolver, que seria a codificação de uma nova doutrina.
A partir daí foram 14 anos de organização da Doutrina Espírita.
Allan Kardec preparou o lançamento das cinco Obras Básicas da Doutrina Espírita, a Codificação, tendo início em 1857 com o lançamento de "O Livro dos Espíritos". Desencarnou em 31 de março de 1869, aos 65 anos. Sua persistência e estudo constantes foram essenciais para a elaboração do movimento espírita e organização dos ensinos do Espírito de Verdade.
O Livro dos Espíritos apresenta os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade – segundo os ensinamentos dos Espíritos superiores, através de diversos médiuns, recebidos e ordenados por Allan Kardec.
O Livro dos Espíritos se divide em quatro "livros", que tratam respectivamente:
I) Das causas primárias - abordando a noção da Divindade, Criação e Elementos Fundamentais do Universo.
II) Do mundo dos Espíritos - analisando a noção de Espírito e toda a série de imperativos que se ligam a esse conceito, a finalidade de sua existência, seu potencial de auto-aperfeiçoamento, sua pré e sua pós-existência e ainda as relações que estabelece com a matéria.
III) Das leis morais - trabalhando com o conceito das Leis de ordem moral a que estaria submetida toda a Criação, quais sejam as leis de: adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade e justiça, amor e caridade.
IV) Das esperanças e consolações - concluindo com ponderações acerca do futuro do homem, seu estado após a morte, as alegrias e obstáculos que encontra no além-túmulo.
E você sabia que:
- A primeira edição de “O Livro dos Espíritos” é de 18 de abril de 1857?
- Sua edição definitiva (3ª edição) é de 18 de março de 1860?
- De 501 questões na primeira edição, o livro passou a ter 1019, mais 164 complementares?
- A Introdução, que no início era um todo, foi dividida por Allan Kardec em 17 capítulos?
- A questão mais longa é a 222?
- A questão mais curta é a 625?
Fonte:
Grupo Espírita Apóstolo Paulo
CCEDA
Algumas fotos das apresentações dos alunos

27 Março, 2010

O Centro Espírita

Se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita, qual é realmente a sua função e a sua significação, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da Terra. Temos no Brasil – e isso é um consenso universal – o maior, mais ativo e produtivo movimento espírita do planeta. A expansão do Espiritismo em nossa terra é incessante e prossegue em ritmo acelerado.
Kardec avaliou a sua importância no plano da divulgação e da orientação dos grupos, explicando ser preferível a existência de vários Centros pequenos e modestos numa cidade ou num bairro, à existência de um único Centro grande e suntuoso.
Organizado o Centro, com uma denominação simples e afetiva, aprovados em assembléia geral e registrados os estatutos e as atas, sua função e significação estarão definidas como Estudo e Prática da Doutrina Espírita, sempre segundo o Codificação de Allan Kardec. Sem Kardec não há Espiritismo, há apenas mediunismo desorientado.
Cada Centro Espírita tem os seus protetores e guias espirituais que comprovam a sua autenticidade pelos serviços prestados, pelas manifestações oportunas e cautelosas e pela dedicação aos princípios de Kardec.
A Doutrina é o renascimento do cristianismo primitivo e, para bem compreendermos as finalidades do centro espírita, devemos examinar o tipo de trabalho desenvolvido pelos Apóstolos e pelo próprio Allan Kardec. É entre eles que fomos encontrar a trilogia da prática espírita: 

1 - Aprender
Uma vez que somos Espíritos que estamos na Terra para evoluirmos, é natural que o aprendizado seja uma das fundamentais tarefas do verdadeiro espírita. 

2 - Ensinar
O Espiritismo tem a função primordial de educar as criaturas, conduzindo-as ao equilíbrio através do conhecimento.

3 - Assistir 
A tarefa de assistir ao próximo se divide em assistência espiritual e material.
Considerando que a missão do Espiritismo visa a transformação da humanidade pela melhoria das massas, por meio do gradual aperfeiçoamento dos indivíduos, todo auxílio feito ao próximo não pode perder de vista a condição espiritual do ser e sua projeção além do túmulo. Desse modo, a assistência espiritual trabalhará preventiva, ostensiva e construtivamente, sem esquecer que temos necessidades, cujas raízes se perdem no tempo e se exteriorizam no presente.
Os serviços assistenciais à pobreza, prestados pelos Centros Espíritas, constituem a contribuição espírita para o desenvolvimento de nova mentalidade social em nosso mundo egoísta. Negar auxílio, nesses casos, a pretexto de que estamos sonhando com medidas melhores é falta de caridade, comodismo disfarçado em idealismo superior. O Centro Espírita é instrumento de ação imediata e age de acordo com as necessidades urgentes. A evolução social depende da evolução dos homens.
Os serviços de assistência ao próximo só podem retardar o avanço da violência, ao mesmo tempo em que aceleram o desenvolvimento moral e espiritual da Humanidade. É desse desenvolvimento, e exclusivamente dele, que poderá surgir na Terra uma civilização superior.
Como se vê, o Centro Espírita é realmente um centro de convergência de toda a dinâmica doutrinária. Nele revelam-se os médiuns, comunicam-se os espíritos, educam-se crianças e adultos, libertam-se os obsediados, estuda-se a doutrina em seus aspectos teórico e prático e promove-se a assistência social a todos os necessitados, sem imposições e discriminações, cultivando a fraternidade que abre os portais do futuro.
Allan Kardec traçou a linha de conduta do verdadeiro espírita: que se esforçasse constantemente para dominar suas más inclinações. Ora, só podemos lutar contra uma tendência ruim se tivermos consciência dela. Para tanto, temos que nos conhecer. Daí, surge a necessidade do auto-conhecimento.
O dirigente espírita é o gerente da casa de trabalhos. Cabe a ele a função de administrar e coordenar todas as ações, elaborar seus planos e executá-los. Sobre ele paira a responsabilidade de orientar as atividades doutrinárias, trabalhar o desenvolvimento dos membros sob sua tutela e planejar o sistema administrativo do centro.
Kardec dizia que a vida deve nos servir de aprendizado. Se observarmos as escolas e instituições do mundo, vamos verificar que princípios diretivos sempre as orientam. Alguns determinam e outros cumprem. O Centro Espírita precisa ser coordenado por uma metodologia semelhante. Quando não se faz um trabalho organizado, o resultado não pode ser bom.
Imaginemos um barco navegando sem capitão. Uma nau que a cada dia recebesse uma orientação. É certo que não chegaria a lugar algum. O mesmo aconteceria com uma empresa sem diretores, sem um plano de serviços. Os resultados não seriam satisfatórios.
A vida moral do servidor espírita necessita de cuidados especiais.
Dirigentes, auxiliares e freqüentadores de um Centro Espírita bem organizado sabem que a obra de Kardec é um monumento científico, filosófico e religioso de estrutura dinâmica, não estática, mas cujo desenvolvimento exige estudos e pesquisas do maior rigor metodológico, realizadas com humanidade, bom-senso e respeito à doutrina.
As pessoas que procuram o centro para serem ajudadas, costumam tomar a imagem do trabalhador espírita como linha de referência para sua própria imagem. Por esta razão, o que fazemos e a forma como nos apresentamos no centro espírita assumem relevante importância.
Daí a grande importância de que o público tome conhecimento do que é o Centro Espírita, para que serve, qual o seu objetivo a fim de que também perceba, desperte e entenda que a função do Centro Espírita não é curar corpos, resolver problemas, afastar Espíritos, mas, algo muito mais abrangente - despertar almas para que estruturem as mudanças morais saneadoras, restauradoras, capazes de, renovando o Espírito, entender problemas, buscando soluções, atraindo amigos espirituais, transformando a existência no processo da vida em ponto de luz, do futuro de amor que almejamos.
O Centro Espírita significa, assim, uma fortaleza espiritual da grande batalha para o restabelecimento da verdade cristã na Terra. Mas tudo isso deve ser encarado de maneira racional e não mística. Ninguém está ali investido de prerrogativas divinas e sim de obrigações humanas.


Extraído do Livro O Centro Espírita de J. Herculano Pires e do Jornal Verdade e Luz e Jornal Mundo Espírita
Imagem: Net

19 Dezembro, 2009

XIX Festa de Encerramento Evangelização Infanto-Juvenil 2009

No mês de dezembro, o Centro Espírita Joanna de Ângelis encerra as atividades da Evangelização com uma festa que reúne apresentações artísticas e divulgação doutrinária. 
Este ano aconteceu no último dia 13 às 9h.
Para nós é muito mais que uma reunião festiva entre alunos, pais, familiares e  evangelizadores.  É o momento em que concluímos mais uma etapa de divulgação da Doutrina Espírita, além da contribuição para uma melhor formação moral - religiosa de todas as crianças e jovens que conosco convivem durante os domingos ao longo do ano.
Neste ano o tema da festa foi o Livro.
Para nós, espíritas, o Livro dos Espíritos consagra-se como o mais importante.
Desde o início do segundo semestre todas as evangelizadoras envolveram as crianças e jovens em trabalhos, tendo o Livro dos Espíritos como tema principal, além de uma ampla abordagem de como se escreve e se produz um livro. Como resultado os alunos das classes do Jardim e do Primário escreveram, editaram e produziram livros sobre o tema.
Equipe CEJA
O Livro e a América
Oh! Bendito o que semeia
livros... livros às mãos cheias ...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n´alma
É germe - que faz a palma,
É chuva - que faz o mar.

             Castro Alves

Fotos da festa

































  




 

31 Agosto, 2009

Caminhos do Coração

Multiplicam-se os caminhos do processo evolutivo, especialmente durante a marcha que fazemos unidos à matéria.

Caminhos e caminhantes!

Caminhos curtos e longos, retos e curvos, estão por toda parte, especialmente no campo moral, aguardando ser escolhidos.

Todos eles conduzem a algum lugar...

Ao fazer tua escolha, repassa pela mente os objetivos que persegues, os recursos que se encontram à tua disposição íntima assinalando o estado evolutivo, a fim de teres condição de seguir.

Opta pelos caminhos do coração.

Eles, certamente, levarão os teus anseios e a tua vida ao ponto de luz que brilha à frente, esperando por ti.

Os caminhos do coração se encontram enriquecidos da coragem, que se vitaliza com a esperança do bem, da humildade, que reconhece a própria fragilidade, e satisfaz-se com os dons do espírito - ao invés do tresvariado desejo de amealhar coisas de secundária importância.

Os caminhos do coração encontram-se iluminados pelo conhecimento da razão, que lhes clareia o leito, facilitando o percurso.

Jesus escolheu os caminhos do coração para acercar-se das criaturas e chamá-las ao reino dos Céus.

Incontáveis criaturas, identificaram esses caminhos e avançam com alegria na direção da plenitude espiritual.

Realmente não existem coincidências.

No Universo, a Inteligência Suprema que a tudo e todos dirige, traça um plano individual e coletivo para toda a humanidade, em todos os mundos, conhecidos e desconhecidos dos sentidos limitados dos homens de nosso planeta.

Dois seres se aproximam devido a circunstâncias aparentemente fortuitas, mas que na realidade, resultam da atração de dois Espíritos, que se buscam reciprocamente por entre a multidão, através de resoluções tomadas na vida do infinito.

Imperioso, porém, que a ligação se baseie no amor, na compreensão e na tolerância.

O amor é de origem divina. Quanto mais se doa, mais se multiplica sem jamais exaurir-se.

Acredita no amor e vive-o plenamente.

O amor não é somente um meio, porém o fim essencial da vida.

Semeia a paz legítima que emerge do coração feliz e da mente que compreende, age e confia, porque, da consciência que se ilumina ante os impositivos das Leis Divinas, surge a harmonia que fomenta a dinâmica da vida realizadora.

Essa paz não se turba, é permanente. Não permite constrangimento, nem se faz imposta.

Cada um de nós a adquire com esforço pessoal, como coroamento da ação bem dirigida, objetivando os altos ideais.

Não basta, no entanto, programar e falar sobre a paz. Mas, visualizando-a, pensar em paz e agir com pacificação, exteriorizando-a de tal forma que ela se estabeleça onde estejas.

Entre as paredes do templo familiar, preparamo-nos para a vida com todos.

Abençoa os acidentes de percurso, que denominas como desdita, segue na direção das metas, e verás quantas concessões de felicidade pela frente.

Quem avança monte acima, pisa pedregulhos que ferem os pés, mas também flores miúdas e verdejante relva, que teimam em nascer ali colocando beleza no chão.

Reflete na importância de tua própria imortalidade e recorda, onde estejas, que a paz de teu lar, começa invariavelmente de ti.


Baseado nas obras:

Na Era do Espírito, Rumo Certo e Vida e Sexo - Chico Xavier, Emmanuel

Momentos de Felicidade - Divaldo P. Franco, Joanna de Ângelis


06 Julho, 2009

O Futuro a Deus pertence!

Este ditado popular revela uma verdade, a qual todas as consciências intuem, porém, não tem domínio absoluto. É que nossa ainda pobre capacidade perceptiva não alcança as dimensões transcendentes da divindade. Somos quais cegos a olhar para o infinito desejando vislumbrá-lo, porém, nossas ferramentas limitadas, nos impedem de ver.
Se a lembrança das vidas passadas e o conhecimento do futuro fossem de essencial importância para o progresso do homem encarnado, a natureza teria nos dotado de um sentido para tal.
O conhecimento do futuro é vedado ao homem, para lhe permitir a continuidade no trabalho e na esperança, desenvolvendo assim os seus dotes espirituais, porque se conhecesse, por antecipação, o que viria a acontecer, simplesmente acomodar-se-ia, já que tudo estaria traçado e nada poderia modificar.
"Se um homem vem a saber, por exemplo, que vai receber uma herança, com que não conta, pode dar-se que a revelação desse fato desperte nele o sentimento da cobiça, pela perspectiva de se lhe tornarem possíveis maiores gozos terrenos, pela ânsia de possuir mais depressa a herança, desejando talvez, para que tal se dê, a morte daquele de quem herdará...” (O Livro dos Espíritos – questão 870)
Vislumbrar um acontecimento futuro seria para muitos uma prova muito pesada para suportar, e assim, sua falência seria inevitável.
Contudo, Deus permite, com as Leis Naturais, que as coisas se revelem ao seu tempo, dando-lhes, por misericórdia, a oportunidade de crescerem na mesma medida que desenvolvem-se os atributos morais e intelectuais. Ao mesmo tempo, quer Ele que desenvolvamos o nosso livre-arbítrio na medida que ultrapassamos as provas impostas pelas escolhas que fizemos. É para nós uma ferramenta de progresso.
Mas não tratamos aqui do futuro absoluto, mas de ações que tem conseqüências previsíveis baseadas numa causa conhecida.
Suponhamos um homem colocado no cume de uma alta montanha, a observar a vasta extensão da planície em derredor. Nessa situação poderá facilmente apanhar, de um golpe de vista, todos os acidentes do terreno, de um extremo a outro da estrada que lhe esteja diante dos olhos. O viajor, que pela primeira vez percorra essa estrada, sabe que, caminhando, chegará ao fim dela. Entretanto, os acidentes do terreno, as subidas e descidas, os cursos dágua que terá de transpor, os bosques que haja de atravessar, os precipícios em que poderá cair, as casas hospitaleiras onde lhe será possível repousar, os ladrões que o espreitem para roubá-lo, tudo isso independe da sua pessoa; é para ele o desconhecido, o futuro, porque a sua vista não vai além da pequena área que o cerca. Quanto à duração, mede-a pelo tempo que gasta em perlustrar o caminho.
Para o homem que está em cima da montanha e que o acompanha com o olhar, tudo aquilo está presente. Suponhamos que esse homem desce do seu ponto de observação e, indo ao encontro do viajante, lhe diz: «Em tal momento, encontrarás tal coisa, serás atacado e socorrido». Estará predizendo o futuro, mas, futuro para o viajante, não para ele, autor da previsão, pois que, para ele, esse futuro é presente.
Entretanto, como o homem tem de concorrer para o progresso geral e como certos acontecimentos devem resultar da sua cooperação, em casos especiais, ele pressente esses acontecimentos, a fim de lhes preparar o encaminhamento e de estar pronto a agir, em chegando a ocasião. Por isso é que Deus, às vezes, permite se levante uma ponta do véu; mas, sempre com fim útil, nunca para satisfação de vã curiosidade.
Tal missão pode, pois, ser conferida, não a todos os Espíritos, porquanto muitos há que do futuro não conhecem mais do que os homens, porém há alguns Espíritos bastante adiantados para desempenhá-la. Ora, é de notar-se que as revelações dessa espécie são sempre feitas espontaneamente e jamais, ou, pelo menos, muito raramente, em resposta a uma pergunta direta.
Se soubéssemos, antecipadamente, o fim de cada coisa, ninguém duvide que a harmonia geral com isso sofreria. Um futuro feliz assegurado tiraria do homem toda atividade, uma vez que não teria necessidade de nenhum esforço para chegar ao objetivo que se propôs: seu bem-estar; todas as forças físicas e morais seriam paralisadas, e a marcha progressiva da humanidade seria detida.
A certeza da infelicidade teria as mesmas conseqüências pelo efeito do desencorajamento; todos renunciariam lutar contra o decreto definitivo do destino.
Além de tudo, nunca devemos nos esquecer de que assim como os acontecimentos do presente têm sua causa na nossa vida passada, os acontecimentos do futuro têm como base as nossas ações presentes.
É a lei de Ação e Reação.

Livre-arbítrio: é uma função do pensamento livre acionado pela vontade. Pode ser obstáculo, pelas predisposições instintivas, que são o acervo que o espírito traz de vidas anteriores. Quanto mais evoluído for o espírito mais facilmente manejará o seu livre-arbítrio, e quanto mais livre para agir mais responsável pelas conseqüências dos seus atos.

Fonte:
O Livro dos Espíritos - Da Lei de Liberdade
Curso Básico de Espiritismo - www.portaldoespirito.org.br
A Gênese - Teoria da Presciência
Obras Póstumas - O Conhecimento do Futuro

12 Junho, 2009

História de um pão

Quando Barsabás, o tirano, demandou o reino da morte, buscou debalde reintegrar-se no grande palácio que lhe servira de residência. A viúva, alegando infinita mágoa, desfizera-se da moradia, vendendo-lhe os adornos. Viu ele, então, baixelas e candelabros, telas e jarrões, tapetes e perfumes, jóias e relíquias, sob o martelo do leiloeiro, enquanto os filhos querelavam no tribunal, disputando a melhor parte da herança. Ninguém lhe lembrava o nome, desde que não fosse para reclamar o ouro e a prata que doara a mordomos distintos. E porque na memória de semelhantes amigos ele não passava, agora, de sombra, tentou o interesse afetivo de companheiros outros da infância... Todavia, entre eles encontrou simplesmente a recordação dos próprios atos de malquerença e de usura. Barsabás entregou-se às lágrimas de tal modo, que a sombra lhe embargou, por fim, a visão, arrojando-o nas trevas. Vagueou por muito tempo no nevoeiro, entre vozes acusadoras, até que um dia aprendeu a pedir na oração, e como se a rogativa lhe servisse de bússola, embora caminhasse às escuras, eis que, de súbito, se lhe extingue a cegueira e ele vê, diante de seus passos, um santuário sublime, faiscante de luzes. Milhões de estrelas e pétalas fulgurantes povoavam-no em todas as direções. Barsabás, sem perceber, alcançara a Casa das Preces de Louvor, nas faixas inferiores do firmamento. Não obstante deslumbrado, chorou, impulsivo, ante o Ministro espiritual que velava no pórtico. Após ouvi-lo, generoso, o funcionário angélico falou sereno: – Barsabás, cada fragmento luminoso que contemplas é uma prece de gratidão que subiu da Terra... – Ai de mim – soluçou o desventurado – eu jamais fiz o bem... – Em verdade – prosseguiu o informante –, trazes contigo, em grandes sinais, a pranto e o sangue dos doentes e das viúvas, dos velhinhos e órfãos indefesos que despojaste, nos teus dias de invigilância e de crueldade; entretanto, tens aqui, em teu crédito, uma oração de louvor... E apontou-lhe acanhada estrela, que brilhava a feição de pequenino disco solar. – Há trinta e dois anos – disse, ainda, o instrutor –, deste um pão a uma criança e essa criança te agradeceu, em prece ao Senhor da Vida. Chorando de alegria e consultando velhas lembranças, Barsabás perguntou: – Jonakim, o enjeitado? – Sim, ele mesmo – confirmou o missionário divino. Segue a claridade do pão que deste, um dia, por amor, e livrar-te-ás, em definitivo, do sofrimento nas trevas. E Barsabás acompanhou o tênue raio do tênue fulgor que se desprendia daquela gota estelar, mas, em vez de elevar-se às alturas, encontrou-se numa carpintaria humilde da própria Terra. Um homem calejado aí refletia, manobrando a enxó em pesado lenho... Era Jonakim, aos quarenta de idade. Como se estivessem os dois identificados no doce fio de luz, Barsabás abraçou-se a ele, qual viajante abatido, de volta ao calor do lar.
***
Decorrido um ano, Jonakim, o carpinteiro, ostentava, sorridente, nos braços, mais um filhinho, cujos louros cabelos emolduravam belos olhos azuis. Com a benção de um pão dado a um menino triste, por espírito de amor puro, conquistara Barsabás, nas Leis Eternas, o prêmio de renascer para redimir-se.
Irmão X