19 Dezembro, 2009

XIX Festa de Encerramento Evangelização Infanto-Juvenil 2009

No mês de dezembro, a Sociedade Espírita Joanna de Ângelis encerra as atividades da Evangelização com uma festa que reúne apresentações artísticas e divulgação doutrinária. 
Este ano aconteceu no último dia 13 às 9h.
Para nós é muito mais que uma reunião festiva entre alunos, pais, familiares e  evangelizadores.  É o momento em que concluímos mais uma etapa de divulgação da Doutrina Espírita, além da contribuição para uma melhor formação moral - religiosa de todas as crianças e jovens que conosco convivem durante os domingos ao longo do ano.
Neste ano o tema da festa foi o Livro.
Para nós, espíritas, o Livro dos Espíritos consagra-se como o mais importante.
Desde o início do segundo semestre todas as evangelizadoras envolveram as crianças e jovens em trabalhos, tendo o Livro dos Espíritos como tema principal, além de uma ampla abordagem de como se escreve e se produz um livro. Como resultado os alunos das classes do Jardim e do Primário escreveram, editaram e produziram livros sobre o tema.
Equipe SEJA


O Livro e a América

Oh! Bendito o que semeia
livros... livros às mãos cheias ...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n´alma
É germe - que faz a palma,
É chuva - que faz o mar.

             Castro Alves

Fotos da festa


































  




 



31 Agosto, 2009

Caminhos do Coração

Multiplicam-se os caminhos do processo evolutivo, especialmente durante a marcha que fazemos unidos à matéria.

Caminhos e caminhantes!

Caminhos curtos e longos, retos e curvos, estão por toda parte, especialmente no campo moral, aguardando ser escolhidos.

Todos eles conduzem a algum lugar...

Ao fazer tua escolha, repassa pela mente os objetivos que persegues, os recursos que se encontram à tua disposição íntima assinalando o estado evolutivo, a fim de teres condição de seguir.

Opta pelos caminhos do coração.

Eles, certamente, levarão os teus anseios e a tua vida ao ponto de luz que brilha à frente, esperando por ti.

Os caminhos do coração se encontram enriquecidos da coragem, que se vitaliza com a esperança do bem, da humildade, que reconhece a própria fragilidade, e satisfaz-se com os dons do espírito - ao invés do tresvariado desejo de amealhar coisas de secundária importância.

Os caminhos do coração encontram-se iluminados pelo conhecimento da razão, que lhes clareia o leito, facilitando o percurso.

Jesus escolheu os caminhos do coração para acercar-se das criaturas e chamá-las ao reino dos Céus.

Incontáveis criaturas, identificaram esses caminhos e avançam com alegria na direção da plenitude espiritual.

Realmente não existem coincidências.

No Universo, a Inteligência Suprema que a tudo e todos dirige, traça um plano individual e coletivo para toda a humanidade, em todos os mundos, conhecidos e desconhecidos dos sentidos limitados dos homens de nosso planeta.

Dois seres se aproximam devido a circunstâncias aparentemente fortuitas, mas que na realidade, resultam da atração de dois Espíritos, que se buscam reciprocamente por entre a multidão, através de resoluções tomadas na vida do infinito.

Imperioso, porém, que a ligação se baseie no amor, na compreensão e na tolerância.

O amor é de origem divina. Quanto mais se doa, mais se multiplica sem jamais exaurir-se.

Acredita no amor e vive-o plenamente.

O amor não é somente um meio, porém o fim essencial da vida.

Semeia a paz legítima que emerge do coração feliz e da mente que compreende, age e confia, porque, da consciência que se ilumina ante os impositivos das Leis Divinas, surge a harmonia que fomenta a dinâmica da vida realizadora.

Essa paz não se turba, é permanente. Não permite constrangimento, nem se faz imposta.

Cada um de nós a adquire com esforço pessoal, como coroamento da ação bem dirigida, objetivando os altos ideais.

Não basta, no entanto, programar e falar sobre a paz. Mas, visualizando-a, pensar em paz e agir com pacificação, exteriorizando-a de tal forma que ela se estabeleça onde estejas.

Entre as paredes do templo familiar, preparamo-nos para a vida com todos.

Abençoa os acidentes de percurso, que denominas como desdita, segue na direção das metas, e verás quantas concessões de felicidade pela frente.

Quem avança monte acima, pisa pedregulhos que ferem os pés, mas também flores miúdas e verdejante relva, que teimam em nascer ali colocando beleza no chão.

Reflete na importância de tua própria imortalidade e recorda, onde estejas, que a paz de teu lar, começa invariavelmente de ti.


Baseado nas obras:

Na Era do Espírito, Rumo Certo e Vida e Sexo - Chico Xavier, Emmanuel

Momentos de Felicidade - Divaldo P. Franco, Joanna de Ângelis


06 Julho, 2009

O Futuro a Deus pertence!

Este ditado popular revela uma verdade, a qual todas as consciências intuem, porém, não tem domínio absoluto. É que nossa ainda pobre capacidade perceptiva não alcança as dimensões transcendentes da divindade. Somos quais cegos a olhar para o infinito desejando vislumbrá-lo, porém, nossas ferramentas limitadas, nos impedem de ver.
Se a lembrança das vidas passadas e o conhecimento do futuro fossem de essencial importância para o progresso do homem encarnado, a natureza teria nos dotado de um sentido para tal.
O conhecimento do futuro é vedado ao homem, para lhe permitir a continuidade no trabalho e na esperança, desenvolvendo assim os seus dotes espirituais, porque se conhecesse, por antecipação, o que viria a acontecer, simplesmente acomodar-se-ia, já que tudo estaria traçado e nada poderia modificar.
"Se um homem vem a saber, por exemplo, que vai receber uma herança, com que não conta, pode dar-se que a revelação desse fato desperte nele o sentimento da cobiça, pela perspectiva de se lhe tornarem possíveis maiores gozos terrenos, pela ânsia de possuir mais depressa a herança, desejando talvez, para que tal se dê, a morte daquele de quem herdará...” (O Livro dos Espíritos – questão 870)
Vislumbrar um acontecimento futuro seria para muitos uma prova muito pesada para suportar, e assim, sua falência seria inevitável.
Contudo, Deus permite, com as Leis Naturais, que as coisas se revelem ao seu tempo, dando-lhes, por misericórdia, a oportunidade de crescerem na mesma medida que desenvolvem-se os atributos morais e intelectuais. Ao mesmo tempo, quer Ele que desenvolvamos o nosso livre-arbítrio na medida que ultrapassamos as provas impostas pelas escolhas que fizemos. É para nós uma ferramenta de progresso.
Mas não tratamos aqui do futuro absoluto, mas de ações que tem conseqüências previsíveis baseadas numa causa conhecida.
Suponhamos um homem colocado no cume de uma alta montanha, a observar a vasta extensão da planície em derredor. Nessa situação poderá facilmente apanhar, de um golpe de vista, todos os acidentes do terreno, de um extremo a outro da estrada que lhe esteja diante dos olhos. O viajor, que pela primeira vez percorra essa estrada, sabe que, caminhando, chegará ao fim dela. Entretanto, os acidentes do terreno, as subidas e descidas, os cursos dágua que terá de transpor, os bosques que haja de atravessar, os precipícios em que poderá cair, as casas hospitaleiras onde lhe será possível repousar, os ladrões que o espreitem para roubá-lo, tudo isso independe da sua pessoa; é para ele o desconhecido, o futuro, porque a sua vista não vai além da pequena área que o cerca. Quanto à duração, mede-a pelo tempo que gasta em perlustrar o caminho.
Para o homem que está em cima da montanha e que o acompanha com o olhar, tudo aquilo está presente. Suponhamos que esse homem desce do seu ponto de observação e, indo ao encontro do viajante, lhe diz: «Em tal momento, encontrarás tal coisa, serás atacado e socorrido». Estará predizendo o futuro, mas, futuro para o viajante, não para ele, autor da previsão, pois que, para ele, esse futuro é presente.
Entretanto, como o homem tem de concorrer para o progresso geral e como certos acontecimentos devem resultar da sua cooperação, em casos especiais, ele pressente esses acontecimentos, a fim de lhes preparar o encaminhamento e de estar pronto a agir, em chegando a ocasião. Por isso é que Deus, às vezes, permite se levante uma ponta do véu; mas, sempre com fim útil, nunca para satisfação de vã curiosidade.
Tal missão pode, pois, ser conferida, não a todos os Espíritos, porquanto muitos há que do futuro não conhecem mais do que os homens, porém há alguns Espíritos bastante adiantados para desempenhá-la. Ora, é de notar-se que as revelações dessa espécie são sempre feitas espontaneamente e jamais, ou, pelo menos, muito raramente, em resposta a uma pergunta direta.
Se soubéssemos, antecipadamente, o fim de cada coisa, ninguém duvide que a harmonia geral com isso sofreria. Um futuro feliz assegurado tiraria do homem toda atividade, uma vez que não teria necessidade de nenhum esforço para chegar ao objetivo que se propôs: seu bem-estar; todas as forças físicas e morais seriam paralisadas, e a marcha progressiva da humanidade seria detida.
A certeza da infelicidade teria as mesmas conseqüências pelo efeito do desencorajamento; todos renunciariam lutar contra o decreto definitivo do destino.
Além de tudo, nunca devemos nos esquecer de que assim como os acontecimentos do presente têm sua causa na nossa vida passada, os acontecimentos do futuro têm como base as nossas ações presentes.
É a lei de Ação e Reação.

Livre-arbítrio: é uma função do pensamento livre acionado pela vontade. Pode ser obstáculo, pelas predisposições instintivas, que são o acervo que o espírito traz de vidas anteriores. Quanto mais evoluído for o espírito mais facilmente manejará o seu livre-arbítrio, e quanto mais livre para agir mais responsável pelas conseqüências dos seus atos.

Fonte:
O Livro dos Espíritos - Da Lei de Liberdade
Curso Básico de Espiritismo - www.portaldoespirito.org.br
A Gênese - Teoria da Presciência
Obras Póstumas - O Conhecimento do Futuro

12 Junho, 2009

História de um pão

Quando Barsabás, o tirano, demandou o reino da morte, buscou debalde reintegrar-se no grande palácio que lhe servira de residência. A viúva, alegando infinita mágoa, desfizera-se da moradia, vendendo-lhe os adornos. Viu ele, então, baixelas e candelabros, telas e jarrões, tapetes e perfumes, jóias e relíquias, sob o martelo do leiloeiro, enquanto os filhos querelavam no tribunal, disputando a melhor parte da herança. Ninguém lhe lembrava o nome, desde que não fosse para reclamar o ouro e a prata que doara a mordomos distintos. E porque na memória de semelhantes amigos ele não passava, agora, de sombra, tentou o interesse afetivo de companheiros outros da infância... Todavia, entre eles encontrou simplesmente a recordação dos próprios atos de malquerença e de usura. Barsabás entregou-se às lágrimas de tal modo, que a sombra lhe embargou, por fim, a visão, arrojando-o nas trevas. Vagueou por muito tempo no nevoeiro, entre vozes acusadoras, até que um dia aprendeu a pedir na oração, e como se a rogativa lhe servisse de bússola, embora caminhasse às escuras, eis que, de súbito, se lhe extingue a cegueira e ele vê, diante de seus passos, um santuário sublime, faiscante de luzes. Milhões de estrelas e pétalas fulgurantes povoavam-no em todas as direções. Barsabás, sem perceber, alcançara a Casa das Preces de Louvor, nas faixas inferiores do firmamento. Não obstante deslumbrado, chorou, impulsivo, ante o Ministro espiritual que velava no pórtico. Após ouvi-lo, generoso, o funcionário angélico falou sereno: – Barsabás, cada fragmento luminoso que contemplas é uma prece de gratidão que subiu da Terra... – Ai de mim – soluçou o desventurado – eu jamais fiz o bem... – Em verdade – prosseguiu o informante –, trazes contigo, em grandes sinais, a pranto e o sangue dos doentes e das viúvas, dos velhinhos e órfãos indefesos que despojaste, nos teus dias de invigilância e de crueldade; entretanto, tens aqui, em teu crédito, uma oração de louvor... E apontou-lhe acanhada estrela, que brilhava a feição de pequenino disco solar. – Há trinta e dois anos – disse, ainda, o instrutor –, deste um pão a uma criança e essa criança te agradeceu, em prece ao Senhor da Vida. Chorando de alegria e consultando velhas lembranças, Barsabás perguntou: – Jonakim, o enjeitado? – Sim, ele mesmo – confirmou o missionário divino. Segue a claridade do pão que deste, um dia, por amor, e livrar-te-ás, em definitivo, do sofrimento nas trevas. E Barsabás acompanhou o tênue raio do tênue fulgor que se desprendia daquela gota estelar, mas, em vez de elevar-se às alturas, encontrou-se numa carpintaria humilde da própria Terra. Um homem calejado aí refletia, manobrando a enxó em pesado lenho... Era Jonakim, aos quarenta de idade. Como se estivessem os dois identificados no doce fio de luz, Barsabás abraçou-se a ele, qual viajante abatido, de volta ao calor do lar.
***
Decorrido um ano, Jonakim, o carpinteiro, ostentava, sorridente, nos braços, mais um filhinho, cujos louros cabelos emolduravam belos olhos azuis. Com a benção de um pão dado a um menino triste, por espírito de amor puro, conquistara Barsabás, nas Leis Eternas, o prêmio de renascer para redimir-se.
Irmão X

02 Maio, 2009

Doença Mental e o Espiritismo

Hoje em dia o termo deficiência mental é preferível à palavra loucura para designar os portadores de algum distúrbio psíquico. A classe médica e mesmo a sociedade civil em geral vem mudando a maneira como encara esse distúrbio.

Mas nem sempre foi assim. O francês Michel Foucault (1926-1984), em seu livro clássico sobre a história da loucura, estabeleceu um paralelo interessante entre a loucura e a lepra. A lepra, na Antigüidade, era objeto de exclusão e supressão de elementos da sociedade; o portador da doença era o bode expiatório culpado de causar males aos outros. Os vales dos leprosos eram lugares ermos, afastados das cidades, em que se “depositavam” todos os doentes leprosos escorraçados do convívio social comum. A loucura, sobretudo a partir da Idade Média, viria ocupar o lugar da lepra, como alvo da brutalidade dos homens ditos normais.

Na sociedade medieval, temerosa dos poderes espirituais ocultos, a doença mental passa a ser encarada como resultado da presença demoníaca, da força maligna na sua plena ação. O louco era submetido a sessões de tortura física e psicológica; não havia compreensão e um sentimento de ódio e temor rondavam a relação entre os sãos e os doentes.

O desconhecimento quase que completo, levou à busca de tratamentos antiquados e dolorosos aos doentes. A trepanação (lobotomia) – consistia na abertura de buracos nos crânios dos doentes de 2,5 a 5 cm de diâmetro, sem anestesia ou assepsia adequadas. Os “doutores” buscavam remover a pierre de folie (pedra da loucura) que acreditavam existir nos cérebros dos doentes. O que acontecia de fato é que eram feitas verdadeiras mutilações que exauriam as forças dos doentes e, por vezes, acabavam por deixar os pacientes privados de certos movimentos.

A partir do século XIX, os tratamentos com eletrochoque, a eletroconvulsoterapia, as convulsões induzidas por medicamentos, a indução a febre, nunca foram completamente bem sucedidos. Tratamentos por vezes polêmicos e resultados efêmeros levaram a partir das décadas de 60 e 70 a um movimento conhecido por antipsiquiátrico, que questionava as terapias convencionais e o sistema psico-hospitalar tradicional.


Visão Espírita


O fato é que a ciência tradicional nunca soube realmente o que provocava a doença mental. Por que pessoas relativamente sãs em alguma fase da vida começavam a manifestar traços de insanidade? Por que outras já nasciam doentes? E ainda, por que tantas se curavam sem razão aparente?

Allan Kardec e os Espíritos da Codificação nos apresentaram um elemento primordial para o entendimento do ser humano na sua essência: o Espírito. O ser imortal; aquele que viveu e viverá inúmeras existências através das reencarnações; o ser que possui um histórico de uma vida milenar que não se restringe somente à vida presente.

Através da lei da reencarnação, explicou a questão das causas atuais e passadas das nossas aflições; que como seres imortais, somos fruto do que fizemos anteriormente. Sofremos mais ou somos mais felizes de acordo com o que viemos construindo nas nossas existências nas diversas moradas do Pai.

A Lei de causa e efeito nos deu uma amplidão de visão que nos ajudou a compreender, por exemplo, que nossa vida presente é reflexo do que temos sido até hoje, inclusive de nossas vivências passadas. Nossas faltas anteriores, nossos erros passados surgem hoje como expiações; assim como nossos acertos aparecem-nos como paliativo ou recompensa na vida atual. Plantamos sementes voluntariamente e hoje somos chamados à colheita. É uma lei natural.

O suicídio, o uso inadequado das faculdades mentais, o envolvimento exagerado com a vida mundana, ou mesmo um progresso intelectual sem a contraparte moral podem ser assinalados como causas anteriores de uma vida atual mergulhada na insanidade.

O Espírito que procedeu assim, no seu desencarne percebe que viveu de forma desequilibrada; sente-se ele próprio um criminoso. No seu tribunal de consciência vê que foi causador de uma desarmonia muito grande e na aferição dos males que praticou sente-se culpado. Suas faltas todas, assim como as boas ações também, impregnaram o seu perispírito e ele vê no processo do reencarne a única forma de reparação possível. Busca um mecanismo auto-punitivo que possa absolvê-lo dos males que praticou. Sente que uma nova vida na Terra, num corpo portador de uma doença mental, poderá livrar-lhe do peso das suas ações infelizes.

No processo da reencarnação, o Espírito aplica-se-lhe de forma consciente ou inconsciente, uma punição porque deseja evoluir e sabe que para isso tem de apagar os erros cometidos no passado. Veja que não é uma punição vinda de Deus, ou um veredicto traçado por um deus vingativo, mas antes disso, um alerta da consciência do próprio Espírito que se sente faltoso com a harmonia universal, pois sabemos que ninguém se escusa da própria consciência.

Na nova vida encarnada a doença poderá manifestar-se desde o nascimento ou poderá ser desencadeada por uma aparente causa material: uma fixação, um trauma, um estresse ou mesmo uma decepção. O que devemos saber é que em ambos, o gérmem da doença mental já estava registrado no perispírito do reencarnante. Da neurose mais simples, passando pelo mongolismo, pela demência, pela esquisofrenia: a gênese é sempre espiritual.

Outro aspecto que temos de considerar é a loucura desencadeada por um processo obsessivo, que também tem por causa um ato anterior. A obsessão é um mecanismo de cobrança do ser desencarnado em relação ao encarnado. Um histórico de disputas e relações não resolvidas envolvem vítima e algoz, agora em papéis trocados.

A doença mental é expiação ou prova também para os pais que podem ter sido coadjuvantes nas faltas desses espíritos. Eles são agora testados e deverão aplicar todo o amor possível na convivência com o doente, sendo responsáveis pelo ser débil que os acompanha. Sabemos que a cura total é quase sempre impossível porque consta do plano reencarnatório da criatura, mas a dor tanto do doente quanto da família pode ser suavizada se tivermos em mente que nunca estamos sozinhos; se confiarmos e tivermos a figura divina como nosso norte, espíritos amigos estarão sempre nos inspirando e colaborando em nossa caminhada.

A terapêutica espírita no tratamento da loucura é essencialmente preventiva, pois sugere a resignação ante as vicissitudes da vida que poderiam causar o afloramento da doença. O auto-conhecimento, a busca constante da reforma íntima e a transformação pessoal de cada um constituem meios eficazes de manter a saúde psíquica de todos, já que qualquer um de nós pode ser doente em potencial.

O auto-conhecimento tão bem aplicado por Santo Agostinho é uma das chaves mestras na prevenção de toda e qualquer doença. A auto-observação no dia-a-dia, na busca constante de identificar os pontos a serem melhorados, as fraquezas e más tendências são elementos importantes para assegurar a qualidade de vida. A proposta de renovação íntima, de transformação moral, da mudança dos hábitos mentais, da substituição do pensamento negativo pelo positivo são ferramentas de prevenção ditados pelo Cristo e renovados pelo Espiritismo.

A fé e confiança em Deus deverão nos dar uma natural resignação ante as tribulações cotidianas e o Espiritismo nos faz lembrar que a vida na Terra é sempre passageira; que se passarmos por tudo de forma equilibrada uma sorte mais feliz nos aguardará no plano espiritual.

Se olharmos para a vida eterna do Espírito que somos, veremos que passamos hoje apenas uma fase passageira nessa existência. Todo esforço será recompensado e aos olhos do Pai, cada gota de suor será computada no final.

Nunca há injustiça alguma vinda do céu. Encaremos as dificuldades como oportunidades de progresso. Essa é a proposta do Espiritismo.


Bibliografia:

- Adaptado do texto de Danilo Pastorelli da Sociedade Espírita União Kardecista, Ribeirão Preto-SP

- História da loucura na idade clássica (Foucault, M.P.J)

- No rumo da felicidade (Franco, D. P. - Joanna de Ângelis - espírito

- O ser consciente (Franco, D.P. - Joanna de Ângelis - espírito)

- Religião dos Espíritos (Xavier, F.C. - Emmanel - espírito)

- Ação e Reação (Xavier, F.C. André Luiz - espírito)


28 Abril, 2009

O Grito de Cólera

Lembra-se do instante em que gritou fortemente, antes do almoço?

Por insignificante questão de vestuário, você pronunciou palavras feias em voz alta, desrespeitando a paz doméstica.

Ah! Meu filho, quantos males foram atraídos por seu gesto de cólera!...

A mãe, muito aflita, correu para o interior, arrastando atenções de toda a casa. Voltou-lhe a dor de cabeça e o coração tornou a descompassar-se.

As duas irmãs, que cuidavam da refeição, dirigiram-se precipitadamente para o quarto, a fim de socorrê-la, e parte do almoço ficou inutilizado.

Em razão das circunstâncias provocadas por sua irreflexão, o pai, muito contrariado, foi compelido a esperar mais tempo em casa, chegando ao serviço com grande atraso.

Seu chefe não estava disposto a tolerar-lhe a falta e recebeu-o com repreensão áspera.

Quem o visse, ereto e digno, a sofrer essa pena, em virtude da sua leviandade, sentiria compaixão, porque você não passa de um jovem necessitado de disciplina, e ele é um homem de bem, idoso e correto, que já venceu muitas tempestades para amparar a família e defendê-la.

Humilhado, suportou as conseqüências de seu gesto impulsivo, por vários dias, observado na oficina qual se fora um menino vadio e imprudente.

Os resultados de sua gritaria foram, porém, mais vastos.

A mãe piorou e o médico foi chamado.

Medicamentos de alto preço, trazidos à pressa, impuseram vertiginosa subida às despesas, e o pai não conseguiu pagar todas as contas de armazém, farmácia e aluguel de casa.

Durante seis meses, toda a sua família lutou e solidarizou-se para recompor a harmonia quebrada, desastradamente, por sua ira infantil.

Cento e oitenta dias de preocupações e trabalhos árduos, sacrifícios e lágrimas!

Tudo porque você, incapaz de compreender a cooperação alheia, se pôs a berrar, inconscientemente, recusando a roupa que lhe não agradava.

Pense na lição, meu filho, e não repita a experiência.

Todos estamos unidos, reciprocamente, através de laços que procedem dos desígnios divinos.

Ninguém se reúne ao acaso.

Forças superiores impelem-nos uns para os outros, de modo a aprendermos a ciência da felicidade, no amor e no respeito mútuos.

O golpe do machado derruba a árvore de vez.

A ventania destrói um ninho de momento para o outro.

A ação impensada de um homem, todavia, é muito pior.

O grito de cólera é um raio mortífero, que penetra o círculo de pessoas em que foi pronunciado e aí se demora, indefinidamente, provocando moléstias, dificuldades e desgostos.

Por que não aprende a falar e a calar, a benefício de todos?

Ajude em vez de reclamar.

A cólera é força infernal que nos distancia da paz divina.

A própria guerra, que extermina milhões de criaturas, não é senão a ira venenosa de alguns homens que se alastra, por muito tempo, ameaçando o mundo inteiro.

Néio Lúcio

Luz no Lar - F.C.Xavier

152 anos de "O Livro dos Espíritos"



No último dia 18 de abril, alunos e evangelizadores da Sociedade Espírita Joanna de Angelis, comemoraram os 152 anos de publicação de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

Esta obra marcou o início de uma nova era, alterou a estrutura do pensamento moderno da cultura, da ciência e civilização, bem como da filosofia e da fé.


“Com este livro, em 1857, raiou para o mundo a era espírita. Nele se cumpria a promessa evangélica do Consolador ou Espírito da Verdade. Dizer isso equivale a afirmar que «O Livro dos Espíritos» é o código de uma nova fase da evolução humana. E é exatamente essa a sua posição na história do pensamento. Este não é um livro comum, que se pode ler de um dia para o outro e depois esquecer num canto da estante. Nosso dever é estudá-lo e meditá-lo, lendo-o e relendo-o constantemente. Sobre este livro se ergue todo um edifício: o da doutrina espírita. Ele é a pedra fundamental do Espiritismo, o seu marco inicial. O Espiritismo surgiu com ele e com ele se propagou. Com ele se impôs e consolidou no mundo”. (J. Herculano Pires)


29 Março, 2009

Auto-Descobrimento

O grande desafio contemporâneo para o homem é o seu auto-descobrimento.
Mediante o aprofundamento das descobertas íntimas, altera-se a escala de valores e surgem novos significados, que contribuem para a tranqüilidade e a auto-confiança. É no silêncio que se pode encontrar Deus, fruir de paz, desvendar os enigmas, auto-aprimorar-se. Ignorando as reações pessoais sempre imprevisíveis, facilmente o homem tomba nas ciladas da violência ou entrega-se à depressão, quando surgem as dificuldades.

Liberar-se do forte cipoal das paixões primitivas é o grande desafio que tem pela frente. O homem possui admiráveis recursos interiores não explorados, que lhe dormem em potencial, aguardando o desenvolvimento. A sua conquista faculta-lhe o auto-descobrimento, o encontro com a sua realidade legítima e, por efeito, com as suas aspirações reais, aquelas que se convertem em suporte de resistência para a vida, equipando-o com os bens inesgotáveis do espírito.
O reforço de coragem para levantar-se, quando caia, o ânimo de prosseguir, se surgem conspirações emocionais que o intimidam, fazem parte de seu programa de enriquecimento interior. É muito comum a atitude apressada de viver-se emocionalmente acontecimentos futuros que certamente não se darão, ou que ocorrerão de forma diversa da que a ansiedade estabelece. Para esta conduta ansiosa Jesus recomendava que “a cada dia basta a sua aflição”, favorecendo o ser com o equilíbrio para manter-se diante de cada hora e fruí-la conforme se apresente.
A introspecção cria o clima de segurança emocional para a realização de cada ação de uma vez e a vivência de cada minuto no seu tempo próprio. Ajuda a manter a calma e a valorizar a sucessão das horas.

A mente equilibrada comandará o corpo em harmonia e, nesse intercâmbio, surgirá a saúde ideal. Há doenças, porque há doentes, isto é, a doença é um efeito de distúrbios profundos no campo espiritual. As doenças orgânicas se instalam em decorrência das necessidades cármicas que lhe são inerentes, convocando o ser a reflexões e reformulações morais que proporcionam o reequilíbrio. Quando o homem moderno passar a considerar a própria imortalidade, empreenderá a viagem plenificadora de trabalhar pelos projetos duradouros em detrimento das ilusões temporárias, observando o futuro e vivendo-o desde já, empenhado no programa da sua conscientização espiritual. Nele se insculpirá, então, o modelo da realização em um ser integral, destituído do medo da vida e da morte, da sombra e da luz, do transitório e do permanente, da aparência e da realidade.

Bibliografia
O Homem Integral - Divaldo Franco, pelo espírito Joanna de Angelis

Despertar do Espírito - idem


23 Março, 2009

A Paciência

Conta a lenda que um velho sábio, tido como mestre da paciência, era capaz de derrotar qualquer adversário. Certa tarde, um homem conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu com a intenção de desafiar o mestre da paciência. O velho aceitou o desafio e o homem começou a insultá-lo. Chegou a jogar algumas pedras em sua direção, cuspiu em sua direção e gritou todos os tipos de insultos. Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o homem se deu por vencido e retirou-se. Impressionados, os alunos perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade. O mestre perguntou: Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita a quem pertence o presente? A quem tentou entregá-lo, respondeu um dos discípulos. O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos. Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo. A sua paz interior depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma. Só se você permitir! A impaciência pré-ocupa nossas mentes. Por que preocupar tem sempre uma conotação negativa, se na realidade significa ocupar com antecipação? Deve ser por causa dessa nossa mania de que quando devemos pré-ocupar nossa cabeça, já pré-ocupamos com problemas, tragédias, coisas ruins. Alguns, mais sábios, pré-ocupam com sonhos, mas nem mesmo chamam isso de preocupação. Sabemos perfeitamente como funciona a vida e que precisamos saber esperar o que não temos controle. Muitas vezes pegamos um atalho e chegamos mais rápido, mas com isso perdemos muito da beleza do caminho. Chegamos mais cedo sim, mas de certa forma alguma coisa ficou faltando. Não é assim com as crianças e adolescentes que vivem cedo demais a vida adulta? Se colhemos uma flor em botão, impedimos a ela e a nós a sua plenitude. Aprender a paciência é uma arte, provavelmente a mais difícil de todas. Ela exige muito de nós, exige auto-controle, exige determinação.

Fonte: CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo

Meditação

Meditar é uma necessidade imperiosa que se impõe antes de qualquer realização.

Com essa atitude acalma-se a emoção e aclara-se o discernimento, harmonizando-se os sentimentos.

Devemos reservar alguns espaços mentais e de tempo, começando o treinamento meditando diariamente num ensinamento do Cristo, fixando-o pela repetição.

Aos poucos vamos aumentando o tempo dedicado ao treinamento, aquietando o corpo desacostumado ao silêncio profundo.

Escolha um lugar agradável e asseado, se possível, que se te faça habitual. Reserva-te uma hora calma em que estejas repousado e invade o desconhecido país da tua mente.

Respira calmamente, sentindo o ar que te abençoa a vida. Dias haverá mais difíceis para o exercício.

O treinamento, entretanto, se responsabilizará pelos resultados eficazes. Não lutes contra os pensamentos, conquista-os com paciência.

Tão natural se tornará a realização, que diante de qualquer desafio ou problema serás conduzido à tranqüilidade e ao discernimento.

Somos aquilo que construímos com a nossa mente, tudo aquilo que projetamos em nosso inconsciente que arquiva e retorna de alguma forma, proporcionando-nos bem ou mal estar, saúde ou doença, alegria ou tristeza.

Mediante o aprofundamento das descobertas íntimas, altera-se a escala de valores e surgem novos significados, que contribuem para a tranqüilidade e a autoconfiança.

É no silêncio que se pode encontrar Deus, fruir de paz, auto aprimorar-se.

A introspecção cria o clima de segurança emocional para a realização de cada ação e a vivência de cada minuto no seu tempo próprio. Ajuda a manter a calma e a valorizar a sucessão das horas.

É uma providência terapêutica, refazendo caminhos de pensamentos e uma forma de despojamento de tudo e de todos, temporariamente, de forma a entender a vacuidade dos apegos e os tormentos pelas posses.

A criatura terrena está em viagem pela Terra, e todo trânsito, por mais demorado, sempre termina.

Uma auto-análise cuidadosa, uma reflexão a respeito dos valores reais e aparentes e a meditação concedem a harmonia para o êxito real do ser.

A mente equilibrada comandará o corpo em harmonia e, nesse intercâmbio, surgirá a saúde ideal.


Bibliografia:

O Homem Integral – Divaldo P. Franco, pelo espírito Joanna de Ângelis

Elucidações Psicológicas à Luz do Espiritismo – idem